O centro texto de Carl Schmitt, "The Concept of the Political", está na distinção amigo-inimigo como critério autônomo e existencial do político, que se manifesta na real possibilidade de conflito extremo (guerra). Schmitt critica o liberalismo por tentar despolitizar essa esfera, transformando o inimigo em competidor e diluindo a soberania. Na minha perspectiva, a crítica ao liberalismo e à despolitização se destaca, especialmente quando pensamos nas "crises da democracia" e na "democracia amputada". A ênfase na distinção amigo-inimigo facilita a análise da polarização e das "guerras culturais" contemporâneas, nas quais a política se torna uma questão de identidade e ameaça existencial. A obra de Schmitt se relaciona com a disciplina ao tratar da erosão dos fundamentos teológico-políticos e da secularização como fatores que intensificam os conflitos morais inconciliáveis. Sua teoria ajuda a compreender as "guerras culturais" como politização de antíteses morais e a democracia exposta à ausência de fundamento, desafiando a ilusão de neutralidade e consenso e sublinhando a dimensão decisória e conflituosa da política.