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Comentário Genealogia da Moral

Comentário Genealogia da Moral

por Gabriel Calçada Barros da Silva (202500047) -
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1- Principalmente na primeira dissertação da obra, Nietzsche traça uma genealogia da moral: propõe que originalmente o "bom" era sinônimo de algo nobre, no seu entender, força, potência, altivez, orgulho etc., e "ruim", o seu contrário, fraqueza, humildade, mansidão, etc. Ou seja, a moral  era supostamente orientada por valores nobres. No entanto , entende que a tradição religiosa judaico-cristã, por ressentimento, efetuou uma profunda e decisiva revolução no âmbito da moral, invertendo as condutas que até então constituíam o bem e o mal :  o "bem" passou a ser a desfortuna, a humildade, a mansidão, a fraqueza etc, e o "mal", a altivez, a força, o orgulho, etc.

2 -  Dessa obra de Nietzsche destaco: a sua análise psicológica do ressentimento, e de como ele seria a base para muitas  ideias, atitudes e movimentos políticos; a ideia de que a moral é profundamente antinatural pois ela iria contra os instintos mais primitivos do homem, em especial  a tendência à violência e ao egoísmo, e que, justamente pela sua força repressora, ela causa um mal-estar no ser-humano, o que ele denominou de "má consciência" ;  a  análise sobre o ideal ascético e a sua teoria sobre as suas origens; a sua tese de que o niilismo europeu de sua época se originou no  que chama alhures de "morte de deus",  pois ela tirou, para muitos, o sentido de sua existência; e a sua surpreendente valorização das crenças religiosas pois elas traziam algum alento,  conforto para o homem, pois fornecia, no fundo, o que o ser-humano mais anseia, isto é,  um sentido para a  existência humana e o sofrimento nela presente. Um sentido falso, ilusório,  frágil, precário, porém ainda assim um sentido, de forma que, assim, lamenta o desenvolvimento histórico que desembocou na "morte de deus".

3 - De acordo com Nietzche, a modernidade trouxe a chamada "morte de deus", que desencadeou a perda de um sentido e fundamento último para a moral e existência humanas. Assim, instaurou-se o niilismo, em que o ser-humano passou a se sentir desorientado, sem chão para as suas atividades, aspectos mais fundamentais de sua existência. Tem-se origem, então, o que outros autores denominam de sociedades pluralistas, em que não há um fundamento último para as valorações humanas, portanto, esposa-se valores os mais diversos sobre os mais variados temas. Posições essas que, por serem díspares, contrastantes, plurais, opostas, entram em choque, dando origem a conflitos morais bastante acirrados na atualidade, as chamadas "guerras culturais".

No contexto dessas "guerras culturais", chama a atenção a similaridade de muitos dos líderes envolvidos nessa guerra à figura do "sacerdote ascético" descrito por Nietzsche no livro. Pois muitos desses líderes, tal como o sacerdote, sabem canalizar habilmente o ressentimento de seus seguidores contra grupos ou inimigos que consideram como o inimigo, ou seja, como "o mal".