Forum 5

Respostas

Respostas

por Tuliana Fernandes Rosa (202505667) -
Número de respostas: 0

No livro The Concept of the Political (pp. 19-79), Carl Schmitt trabalha uma ideia central: a política tem uma lógica própria, que não pode ser confundida com a moral, a economia ou a estética. Para ele, o coração da política está na distinção entre amigo e inimigo. Essa diferença não é uma questão pessoal, mas coletiva e pública. O inimigo, é aquele que representa uma ameaça real à existência de um povo ou de uma comunidade. É a partir daí que a política se mostra em sua forma mais intensa, já que pode levar até mesmo à guerra. Por isso, Schmitt coloca tanta ênfase na figura do soberano, que é quem decide nos momentos de exceção, quando as regras comuns já não dão conta de manter a ordem.

 

 O que mais chama a atenção nesse texto é a radicalidade da visão de Schmitt. Ele associa a essência da política ao conflito e à possibilidade da violência, o que contrasta muito com a ideia liberal de política como espaço de debate, negociação e consenso. Para Schmitt, quando se tenta eliminar o inimigo em nome da neutralidade ou da racionalidade, perde-se o sentido da própria política. Também se destaca a crítica ao liberalismo parlamentar, que ele acusa de não conseguir lidar com situações de crise. Outro ponto marcante é a relação com a teologia: ao comparar o soberano que decide sobre a exceção com Deus que faz milagres, Schmitt mostra que a política não é apenas regra e normalidade, mas também decisão e ruptura.

 

 A noção de soberania ajuda a pensar o papel do Estado em momentos de crise e como o poder se manifesta de forma decisiva. A crítica à democracia liberal levanta questões sobre até que ponto nossas instituições estão preparadas para lidar com conflitos profundos e inimigos que não compartilham das mesmas regras do jogo. Já a ideia de teologia política mostra como conceitos religiosos acabaram sendo traduzidos para a política moderna, mas ainda mantêm o mesmo peso estrutural. E, por fim, a ênfase no conflito e no antagonismo aproxima Schmitt de discussões atuais que enxergam o dissenso não como um problema a ser eliminado, mas como parte essencial da política.