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Nietzsche e a crítica às certezas

Nietzsche e a crítica às certezas

por Tuliana Fernandes Rosa (202505667) -
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O ponto central dos textos do Nietzsche é a crítica às verdades absolutas e à moral tradicional. Em A Gaia Ciência, ele traz a ideia da “morte de Deus”, que não é só sobre religião, mas sobre a perda de um fundamento que sustentava valores e certezas da sociedade ocidental. Em Sobre verdade e mentira em sentido extramoral, ele mostra que a verdade não passa de uma invenção humana, feita de metáforas e convenções que a gente acaba naturalizando. Já em Além do Bem e do Mal, ele vai mais fundo, criticando a filosofia, a moral e a ciência por acreditarem demais na objetividade. Para ele, tudo isso está ligado a uma vontade de poder. Em resumo: Nietzsche quer tirar o chão das certezas e mostrar que não existe verdade neutra nem moral eterna.

  

O mais impressionante é como Nietzsche consegue ser direto e radical. Quando ele fala da “morte de Deus”, fica claro o quanto isso muda tudo: sem esse “Deus” como referência, os valores perdem o alicerce. Outra coisa que chama atenção é a ideia de que a verdade nada mais é do que metáforas que foram repetidas tanto, que a gente esqueceu que eram metáforas. E também a coragem dele em dizer que a moral não é algo universal, mas uma construção histórica, cheia de disputas e interesses.

 

 Nietzsche ajuda a pensar que nada é tão “neutro” ou “natural” como às vezes parece. Instituições políticas, por exemplo, não se sustentam por uma verdade eterna, mas por acordos, símbolos e narrativas construídas ao longo da história. O comportamento político também pode ser visto como fruto de disputas de poder e interesses, e não só como algo racional ou previsível. Já as políticas públicas, que muitas vezes são apresentadas como técnicas e imparciais, na prática também envolvem valores, escolhas morais e conflitos. Nietzsche, nesse sentido, nos faz desconfiar das certezas e enxergar a política como um espaço de criação, disputa e interpretação.