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Democracia e verdade - reflexões a partir de Nietzsche

Democracia e verdade - reflexões a partir de Nietzsche

por Tiago Mazeti (202500052) -
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O central nos textos de Nietzsche é a crítica que se faz à moral e às verdades criadas pelo ser humano. O autor afirma que as verdades são ilusões cuja condição de ilusão é esquecida pelo ser humano. Alimentamos estas ilusões para que elas cumpram a função de dar sentido às nossas vidas. Na página 31 do texto “Sobre verdade e mentira em um sentido extramoral”, Nietzsche parece querer explicar que a linguagem, ou as linguagens, não expressam a verdade, mas sim uma versão daquilo que constituímos e passamos a entender como verdade. A palavra, ou as palavras, expressam aquilo que sentimos, pensamos e refletimos sobre a “realidade em si” que é totalmente inapreensível para nós. No entanto, no afã das revoluções burguesas, o ser humano, tomando como procedimento medir todas as coisas pelos seus próprios feitos, aumentou a carga social que é colocada sobre os pilares seculares. Isso gera uma fragilidade: criamos a ilusão da liberdade, como se a “imensidão do horizonte estivesse ao nosso alcance”, contudo não percebemos que navegar em direção a essa imensidão de possibilidades nos distancia da terra firme e da segurança que ela proporciona. E mais, como indivíduos, podemos navegar em direções diferentes, mas como enfrentar as adversidades impostas pela fúria do mar sozinhos?

O que mais chamou atenção nos escritos de Nietzsche, foram as críticas que ele faz à capacidade do ser humano, que é limitada, de apreender a realidade. Mas não conseguimos escapar da tendência de “tomar as metáforas pelas próprias coisas”. Interessante a ideia de que as palavras que criamos para representar as coisas “são apenas metáforas das coisas e que, portanto, não correspondem à sua essência”. Tal afirmação merece uma análise mais aprofundada.

Nesta perspectiva, creio que estes escritos de Nietzsche se relacionam com a disciplina caracterizando-se como ferramentas para pensar as verdades que criamos, o alcance que tomaram e como elas influenciam no dissenso atualmente. É mais fácil organizar a sociedade diante de crenças que são comuns a todos, mas e quando grupos diferentes podem criar suas próprias “metáforas” e agir de acordo com elas? E quando há contradição entre elas? E quando elas causam conflitos, quem tem autoridade ou permissão para apontar caminhos de resolução? O que significa lidar com estes imbróglios em uma democracia sem depreciá-la e, portanto, sem simplesmente cair na tentação de forçar um dos grupos a submeter-se ao outro?